(Emiliano Nunes)
Deseja-se por desejar,
como uma essência que se estampa,
colorida pela vivência de cada dia,
cada sensação, aspiração...
Existir é o milagre do instante em nuanças.
O desejo que deseja ser...
Mas aprendemos a nos castrar,
e desejamos não desejar o desejo.
Vamos existindo de vontades insossas,
sem paixões, sem brilhos ou alucinações.
Dar-se ao desejo é a profanação,
a sublimação, a superação do desejo
daqueles que nos querem fiéis indesejantes,
pragmáticos e moralizadas máquinas.
Mata-se o desejo em praça pública!
Detonam-no em ofensas e agressões,
por aqueles que não conseguem se dar
ao próprio desejo,
mas que desejam incessantemente,
como uma chama que queima por ardor
e não por iluminação, beleza ou esplendor.
Mas mesmo calado
nos calabouços do inconsciente,
mesmo torturado e acorrentado,
o desejo não morre, tampouco esmorece,
o desejo indesejado
costuma trajar-se de ódio.
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