(Emiliano Nunes)
Deseja-se por desejar,
como uma essência que se estampa,
colorida pela vivência de cada dia,
cada sensação, aspiração...
Existir é o milagre do instante em nuanças.
O desejo que deseja ser...
Mas aprendemos a nos castrar,
e desejamos não desejar o desejo.
Vamos existindo de vontades insossas,
sem paixões, sem brilhos ou alucinações.
Dar-se ao desejo é a profanação,
a sublimação, a superação do desejo
daqueles que nos querem fiéis indesejantes,
pragmáticos e moralizadas máquinas.
Mata-se o desejo em praça pública!
Detonam-no em ofensas e agressões,
por aqueles que não conseguem se dar
ao próprio desejo,
mas que desejam incessantemente,
como uma chama que queima por ardor
e não por iluminação, beleza ou esplendor.
Mas mesmo calado
nos calabouços do inconsciente,
mesmo torturado e acorrentado,
o desejo não morre, tampouco esmorece,
o desejo indesejado
costuma trajar-se de ódio.
Ecos em Letras
Algumas peripécias literárias...
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
A Pedra

(Emiliano Nunes)
Há uma pedra no jardim
e uma língua seca,
que rega de vida
a horta do caos.
Há uma pedra nas mãos,
que é agarrada com força,
e que é a porta do abismo
e o antídoto da angústia.
Há uma pedra na lata
que se consome em fogo
e se dissipa pelo ar,
na fuga do hoje
e na vertigem do tempo.
Há uma pedra na cuca
que devasta e devora,
e faz dos castelos,
ruínas em fumaça escura.
Há uma pedra no espaço
que se prendeu ao pescoço,
e segue assim naufragando
os estilhaços de um sonho.
Há uma pedra sepulcral
que adorna a morte.
Que antes, vívida em vida,
hoje, em lápide e epitáfio.
Placenta
(Emiliano Nunes)
Ela escorre...
Como o mel corre do favo.
Prega na pele, que antes filha,
mas é despregada com os dedos
e asco. Muito asco!
E depois de tudo, é jogada,
Junto a outras secreções:
No abandono do silêncio,
no voejo das moscas verdes,
na terra fofa e ao dia de sol.
Ela escorre...
Como o mel corre do favo.
Prega na pele, que antes filha,
mas é despregada com os dedos
e asco. Muito asco!
E depois de tudo, é jogada,
Junto a outras secreções:
No abandono do silêncio,
no voejo das moscas verdes,
na terra fofa e ao dia de sol.
A Louça Suja
(Emiliano Nunes)
O relógio urra a dor do tempo
e o absurdo estampa a mesa branca.
Escorrem manchas do tecido,
maculadas e apáticas sobre a grande tela.
Também se junta ao caos,
o leve lenço que me caminha os lábios,
e um desgosto pelo gosto do prazer. Aflijo-me!
No corredor, corre um vento frio,
e o queixo bate no estatelar de dentes.
As moscas quietas, quase mortas,
me esperam no amanhã ou na cozinha,
e me vigiam, no estacionar do garfo.
Renego a sobremesa que se oferece
e me arremesso sobre a pia dos odores,
onde habitam larvas que se escondem
no vão do meu eterno asco.
O relógio urra a dor do tempo
e o absurdo estampa a mesa branca.
Escorrem manchas do tecido,
maculadas e apáticas sobre a grande tela.
Também se junta ao caos,
o leve lenço que me caminha os lábios,
e um desgosto pelo gosto do prazer. Aflijo-me!
No corredor, corre um vento frio,
e o queixo bate no estatelar de dentes.
As moscas quietas, quase mortas,
me esperam no amanhã ou na cozinha,
e me vigiam, no estacionar do garfo.
Renego a sobremesa que se oferece
e me arremesso sobre a pia dos odores,
onde habitam larvas que se escondem
no vão do meu eterno asco.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Seus Olhos
(Emiliano Nunes)
Seus olhos são dois riachos
e neles me afogo e me afago,
na fusão transcendental
dos seus, aos meus olhos.
Seus olhos me são maresias
a mover as ondas do mar,
batendo-me em rebento.
Meu corpo em maresia.
Seu ser me é um oásis,
do qual me esbanjo
no seu silêncio...
E me alimento em sua solidão.
Seu corpo é o meu também,
e nele me prendo ao passo
do passo que dou ao caminhar
Em ti, e lhe indo além...
E indo lhe assim,
vou eu, reverberando-me
dos seus olhos molhados,
encharcando-me de mim mesmo.
Seus olhos são dois riachos
e neles me afogo e me afago,
na fusão transcendental
dos seus, aos meus olhos.
Seus olhos me são maresias
a mover as ondas do mar,
batendo-me em rebento.
Meu corpo em maresia.
Seu ser me é um oásis,
do qual me esbanjo
no seu silêncio...
E me alimento em sua solidão.
Seu corpo é o meu também,
e nele me prendo ao passo
do passo que dou ao caminhar
Em ti, e lhe indo além...
E indo lhe assim,
vou eu, reverberando-me
dos seus olhos molhados,
encharcando-me de mim mesmo.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Ipanema

(Emiliano Nunes)
Água morna, cristalina
Sol que brilha o sal na areia
E nos pés, contraídos de frio
Um encontro que permeia
A onda morna em assanho cio
Vasto horizonte que se perde
E me perco em seu clarão
Azul cintilante que emerge
A degustar o branco algodão
Luz do sol que me ilumina
Sutil orvalho a me tocar
Vida que nasce e me alucina
E a dor em ter que voltar
Não te abandono, Ipanema
Foste meu sonho existindo
Tais quais aqueles de cinema
E para o sempre vou te seguindo
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Pecados Queimados

(Emiliano Nunes)
Seus pecados e versículos
Não mais me matam
Em seus hiatos
Beijar-te-ei por esta noite
E nos meus lábios
Afogar-te-á
Beijar teu mel
Sugar-te o céu
Para depois
Assoprar-te em nuvens
Santas nuvens
De pecados queimados
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